Encontro na FHGV debate ética médica

 In FHGV, Hospital Municipal Getúlio Vargas, Notícias

Com palestrantes do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o auditório da sede da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) ficou lotado de médicos nesta quarta-feira (11) para discussão sobre ética médica, principalmente em tempos de redes sociais e avanço da tecnologia. Entre os temas abordados, ética em publicidade médica, prevenção de conflitos éticos online, teleconsultas, divulgação profissional e internet, além de proteção da privacidade de dados dos pacientes.

Primeiro a falar, o médico Marcos André dos Santos alertou para a participação dos profissionais da área em campanhas publicitárias. “É vedada a aparição em propaganda/publicidade de medicamento, insumo médico, equipamento, alimento e quaisquer outros produtos, induzindo à garantia de resultados”, disse ele. Segundo Santos, o médico não pode conferir selo ou chancelar produtos alimentícios, de higiene ou esportivos porque passaria a ideia de resultados benéficos garantidos.

“Gerar conflito para aumentar a interação nas redes sociais não pode ser método de propaganda para médicos”, enfatizou Valéria Noronha Menezes Kreutz, coordenadora do Núcleo de Pediatria do Simers. Ela sugeriu muito cuidado com a divulgação profissional, pois “ganhar dinheiro e perder diploma não tem graça”, brincou ela.
— É preciso respeitar a confidencialidade em relação aos pacientes, evitar responder comentários desagradáveis na internet, separar o perfil pessoal do profissional, nunca fazer manifestação política ou publicar posições radicais sobre medicamentos ou tratamentos, aconselhou.

O médico Carlos Isaia Filho trouxe o tema da telemedicina, que passou a fazer parte do cotidiano de médicos e pacientes, principalmente, a partir da pandemia de 2020. De acordo com ele, a praticidade da tecnologia não substitui os procedimentos exigidos nas consultas presenciais. “O atendimento deve ser registrado em prontuário médico, os dados da anamnese ou exames complementares e a conduta adotada devem ser preservados sob guarda do médico, conforme legislação vigente”, citou o ginecologista e obstetra. Ele ainda destacou a necessidade de consultas presenciais a cada 180 dias, no máximo, em caso de tratamento de doenças crônicas.

Último a palestrar, o advogado José Carrazoni pediu atenção às publicações feitas na internet como estudo de casos clínicos. Segundo ele, uma série de etapas precisam ser cumpridas:
— Assinatura de termo de consentimento, impossibilidade de identificação do paciente, caráter educativo da postagem, sem uso de sensacionalismo, preservação de sigilo e, além de mostrar os resultados benéficos, citar as possíveis complicações.

Texto e fotos: Rogério Carbonera – MTB 7686 / Comunicação FHGV

Recent Posts