Emoção marca encontro em favor da doação de órgãos
Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além de gestores de unidades de saúde ligadas à Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV), participaram nesta terça-feira (17), em Sapucaia do Sul, de mobilização e esclarecimentos em prol da doação de órgãos. A iniciativa foi da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOT) do Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV). Especialistas que lidam diariamente com o assunto enfocaram o protocolo de morte encefálica — condição para fazer a doação — e a abordagem aos familiares do paciente.
Liliana Pellegrin, coordenadora da CIHDOT do HMGV, agradeceu o grande engajamento dos colegas, o que, segundo ela, demonstra que a pauta desperta interesse dos profissionais. A médica intensivista priorizou o esclarecimento sobre a segurança em relação ao protocolo para confirmação da morte encefálica (ME):
— É estabelecida pela perda definitiva e irreversível das funções do encéfalo por causa conhecida, comprovada e capaz de provocar o quadro clínico. O diagnóstico de ME é de certeza absoluta. Qualquer dúvida na determinação da ME impossibilita esse diagnóstico.

De acordo com Liliana, os procedimentos para a determinação da morte encefálica deverão ser realizados em todos os pacientes em coma não perceptivo, Glasgow 3 (ausência de resposta a estímulos) e sem reflexos de tronco e apneia. “Após a constatação da ME, deve-se informar a família e notificar a Organização de Procura de Órgãos (OPO) e as centrais estaduais de transplante.
A enfermeira Caroline Lima, da OPO da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, a quem o município de Sapucaia está ligado, trouxe a experiência do diálogo estabelecido com a família de possíveis doadores. “Os familiares devem ser bem recebidos e acolhidos desde a entrada no hospital. Falhas nesse tratamento muitas vezes inviabiliza o aceite à doação de órgãos”, atentou Caroline. Segundo ela, repasse de informações sempre corretas e conversas respeitosas ao longo da internação abrem o caminho para obter o sim à doação de órgãos.

Enfermeira Kelen Machado 
Enfermeira Caroline Lima
Questionadas sobre a lista dos transplantes, a enfermeira Kelen Machado, também da Santa Casa, tranquilizou os presentes:
— O sistema é muito transparente. O que falta, muitas vezes, é a informação correta. Compatibilidade entre doador e receptor, além da gravidade do paciente que necessita, é o que mais pesa para a realização do transplante. Ninguém fura a fila e todos são atendidos via SUS, seja rico ou pobre.


Duas novas vidas
O transplantado Maurício Kirsch, de 34 anos, morador de Sapucaia do Sul, foi o convidado especial do evento. Ele emocionou a todos ao contar a sua trajetória em busca de doador. “Meu primeiro transplante foi aos 19 anos. Depois de uma década, o rim que eu havia recebido perdeu a função. Fiz cinco anos de hemodiálise, período de saúde frágil, depressão e crises de ansiedade, sem saber como seria o dia de amanhã”, relatou, antes de completar:
— Agora, no dia 13 de março, eu fui agraciado pela segunda vez com um órgão de um paciente em morte encefálica. Por isso, estou hoje aqui com vocês, dividindo essa experiência, que fez eu viver de novo.
Marucia Kirsch, mãe de Maurício e companheira inseparável do filho, chorou ao lembrar das incertezas vividas à espera de um transplante. “A gente mima, a gente ama até em excesso, mas o medo, a insegurança a cada internação são muito fortes. Graças a Deus e ao desprendimento de uma família, tenho ele aqui hoje”, finalizou a orgulhosa mamãe.

Texto e fotos: Rogério Carbonera – MTB 7686 / Comunicação FHGV