Cine bate-papo lota auditório da FHGV para tratar sobre o movimento LGBT

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A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) realizou nesta sexta-feira (5) o Cine bate-papo 50 anos da Revolta Stonewall: marco zero do movimento LGBT. A atividade se deu em comemoração ao Dia Internacional do Orgulho LGBT e resultante de ações do Setor de Desenvolvimento de Pessoas, que passou a fornecer apoio administrativo e logístico para as práticas e as políticas tanto da CDH quanto da Comissão Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (CEPPIR) da Fundação.

A auxiliar de cozinha do Setor de Nutrição e Dietética Rosane da Silva Severo participou do evento e acredita que o mesmo serviu para que as pessoas compreendam a importância do respeito e da aceitação da opção sexual de cada indivíduo. “Cada um tem o desejo de viver a sua vida como quer. Em casa, quando eu soube que minha filha se relaciona com outra mulher, surtei e disse que ela sempre seria minha filha, mas que não queria ver a pessoa que estava com ela. Hoje, ainda estou tentando aceitar que se trata da vida da minha filha. Por isso, o cine bate-papo foi uma lição para mim e é ótimo a FHGV abordar o tema porque além disso a gente não sabe como agir com os pacientes. Levo as refeições nos quartos e já passei por situação de não saber como chamar um paciente LGBT”, conta a trabalhadora.

O assistente administrativo que integra a CDH Ivo Soares observa que, atualmente, a luta consiste na manutenção dos direitos que começaram a ser adquiridos com a revolta do Stonewall. “Programamos o cine bate-papo porque o tema é interessante e denso ao falar da revolta e da opressão. Após a exibição de documentário de 14 minutos, abrimos espaço para a plateia interagir. Escolhemos cinco personagens que envolvem dois homens gays, uma mulher lésbica, um homem e uma mulher trans porque são personagens que representam o LGBT”, explica.

Há cinquenta anos, um conflito violento entre a polícia e frequentadores de um bar em Nova Iorque entrou para história. O episódio ficou conhecido como a Revolta de Stonewall. A invasão do bar localizado no bairro Greenwich Village, em 28 de junho de 1969, é considerado o marco zero do movimento de liberação gay e o momento em que o ativismo pelos direitos LGBT ganhou o debate público e as ruas.

FHGV

Com relação a abordagem dessa temática na FHGV, Soares acredita ser relevante porque se trata de uma instituição de saúde que presta atendimento a esse público. “A população LGBT historicamente é marginalizada ao atendimento em saúde, pois sabemos que travestis e transsexuais procuram muito pouco a assistência em saúde pelo medo de como serão tratadas. Como somos uma Fundação voltada para a área assistencial de saúde é muito interessante como tratamos o movimento LGBT não apenas por causa dos colegas de trabalho que são LGBTs, mas também pelos nossos usuários para que possamos recepcioná-los e fazermos um atendimento humanizado nos princípios do SUS”, enfatiza. O auxiliar administrativo ressalta que atualmente no Brasil é preciso se mobilizar para que direitos não sejam perdidos. “Passamos um momento delicado porque corremos o risco de perder direitos adquiridos como o casamento, a adoção e o acesso a medicamentos para HIV da rede pública. Estamos bastante preocupados e na luta para não perder os direitos”.

O diretor de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, Alex Borba dos Santos, destaca que uma das preocupações da direção da FHGV é a consolidação e a continuidade das políticas que discutem direitos humanos, LGBT e igualdade racial. “A direção da FHGV apoia essa discussão e é parceira, porém não substitui os atores reais, os nossos empregados, que precisam discutir e definir as políticas. A gente deseja e provoca que eles assumam a elaboração das políticas porque isso têm que ficar na mão de quem está na organização. A direção apoia porque quando for trocada são os trabalhadores que vão ficar na FHGV e manter as políticas definidas. A opção sexual está relacionada ao tipo relacionamento a ser dado para o usuário e colega, reconhecendo que as pessoas têm diferenças e direitos provenientes dessas diferenças e escolhas. A gente enquanto instituição e cidadão têm obrigação de respeitar essas diferenças, escolhas e organizar o serviço para garanti-las”, reforçou o diretor.

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